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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

The Black Swan inside us all

Aviso de post longo. Tenham carinho e paciência, esse deu trabalho.


A primeira coisa que me afetou no filme foi óbvia, embora, a princípio, eu devesse ter percebido, mas não percebi. Só quando Natalie Portman começou a fazer seu aquecimento diante do espelho percebi a razão inconsciente pela qual quero ver esse filme desde que ouvi falar nele pela primeira vez. O ballet.
Quando eu era criança, meu sonho era ser bailarina. Minha mãe tentou me demover dessa obsessão aos 7 ou 8 anos, me mostrando uma reportagem do Globo Repórter sobre como as bailarinas sofrem, como tem de se dedicar e como vivem machucadas e cansadas. Eu não me importava. Aos 4 anos ela já havia dito que não pagaria aulas de ballet pra mim, pq eu só tinha 4 anos e não sabia realmente o que queria da vida. Pagou aulas de jazz pra minha irmã, que desistiu dois meses depois. E o ballet continua sendo meu maior sonho e desejo, mesmo que não realizado.
Ela acha que eu não me lembro disso, mas lembro de cada detalhe.
Então, com o passar do tempo, lentamente eu fui entendendo. Não vou dizer que foi o único motivo pra eu desistir - teve outros, como a falta de dinheiro e a falta de fé da minha família no meu objetivo. O mal dos adultos é nunca ter fé nas crianças, que sabem mais da vida do que qualquer um.
Não, o que me venceu mesmo pelo cansaço, foi uma percepção sutil, que foi se infiltrando tão sorrateiramente que nem vi que ela estava lá. O que realmente me venceu foi algo que percebi com a ajuda dos meus coleguinhas de escola, da minha amorosa e preocupada família e até da minha linda e magra prima:
Bailarinas não podem ser gordas.
Pois claro, o que eu achava mais lindo - a leveza e a fluidez dos movimentos, a perfeição, o modo como pareciam anjos com o vento em suas asas... eu não conseguia ver meu corpo gordo nesse contexto.
E na sexta, vendo Cisne Negro me perguntei se não foi por isso que eu desisti do ballet e comecei o transtorno alimentar, pra começar. Quase me doía fisicamente ver aquelas danças. Pensar que talvez, se eu tivesse me esforçado mais em convencer minha família, em emagrecer antes, talvez... hoje fosse eu me movimentando como se fosse de porcelana.
Ou talvez "Esqueleto do Cisne", como esse filme podia se chamar. Pq a magreza da Natalie Portman me assustou - e vcs sabem que pra magreza me assustar tem que ser muito. Quase não se via nas roupas de ballet e nos casacos, mas nas malhas, vc podia contar cada costela dela, quando ela se virava de costas, cada vértebra. A Mila Kunis ficava gorda do lado dela.
Outra coisa que me chamou atenção logo de cara - entre todas as qualidades do filme, foi um diálogo entre Nina (Natalie Portman) e o diretor safadão:

"...I see you obsessed getting each and every move perfectly right but I never see you lose yourself. Ever! All that discipline for what?"
"I just want to be perfect."
"What?"
"I want to be perfect."
"Perfection is not just about control. It's also about letting go. "

Pode não ter chamado atenção de mais ngm, mas sei que vcs entendem pq chamou a minha.

E a partir desse ponto, o filme me prendeu de modo assustador. Pq era muito fácil me ver ali. Mesmo eu não sendo uma bailarina linda, magra e perfeita, eu me vi ali. Porque eu vou dizer o que esse filme não é: Não é sobre ballet. Bom, é, mas só como metáfora. É um filme sobre perfeição, e sobre o que há de negro dentro de cada um de nós.
Vivemos sobre uma pressão que não admite falhas. Nós, aqui nos blogs, sabemos como é difícil dizer ao mundo o quanto queremos a perfeição porque essa exigência é inominável. Todos sentimos, mas jamais devemos admitir ao mundo. Devemos passar a vida querendo e não conseguindo, devemos viver em frustração com sorrisos.
Talvez seja verdade - pq talvez seja isso mesmo que acontece quando queremos algo tão intensamente - principalmente algo tão inalcançavel quanto a perfeição - entramos em contato com aquele lado negro que fingimos que não existe. Aquela escuridão que vive dentro de nós.
Nos esforçamos tanto, achando que a perfeição envolve a bondade e magnanimidade (??) absoluta que tentamos matar o nosso lado negro, nossa escuridão que é também o que nos permite ser passionais e obsessivas. O resultado disso, num caso extremo, é que esse conflito acaba num colapso total da personalidade, do eu.
Claro, que num caso extremo. Sei que muitas pessoas passam por isso e depois tomam tento e vão viver a vida quase normalmente.
Mas as vezes não dá pra escapar. As vezes, nessa busca insana, vemos nosso lado negro e vemos que ele se torna impossível de não olhar. Impossível de escapar. As vezes a escuridão é tão forte, e só precisava de um empurrão pra sair. É quando finalmente vivemos, pq enlouquecemos. A vida e a morte se tornam intensas demais para serem ignoradas. Se completam, assim como o bem e o mal em nós, e nos dão um vislumbre da perfeição.
Sim, eu pensei isso tudo na sala de cinema, enquanto aquele filme me engolia e me espelhava, como água. Como um lago, de verdade.

O final não podia ser diferente, e só não conto mais pra não estragar. Mas foi dificil demais não chorar. As luzes se acendendo, as pessoas assustadas e excitadas, comentando aquele thriller "sick and sexual". E eu segurando o choro, um nó na garganta.

Saí da sala de cinema tensa, o subway que comi revirando no estômago. Era uma emoção forte e bagunçada, e tenho estado tão ocupada com tantas coisas que aquilo me atingiu com mais força do que o esperado. Só o que conseguia pensar era em me livrar daquela angústia, daquele abismo, porque era tão forte que me senti destacada da realidade.
Obviamente fui direto pro banheiro do shopping, e miei, sem nem pensar no que estava fazendo.
Minto. Pensei tb em como contar isso no blog - depois de quase 3 meses sem miar, sem ceder, eu vomitei sem pensar duas vezes por causa do filme. Mas era muita coisa pra processar. Me afetou de verdade.
Vomitei até as pernas ficarem fracas. Voltei pra casa e vim direto baixar a música do Lago dos Cines, e foi com ela que dormi.
No dia seguinte, finalmente cheguei aos 55kg de volta.

Talvez essa seja mesmo a resposta - aceitar sua escuridão mesmo que ela te consuma. É o único caminho pra perfeição. Essa é uma verdade que aceitei há muito tempo. É a coisa mais importante, mais difícil e que mais quero. Quero ser magra. Não importa o que isso custe. Quero ser perfeita. Quero merecer ser amada e quero merecer ser feliz. E pra isso tenho que ser perfeita, é o que mais quero. E se tiver que morrer pra isso, então que seja.

Desculpem pelo post imenso, mas não deu pra evitar. Precisava contar tudo isso pra alguém.
Amores, assim que possível comento em vossos blogs. Não esqueçam que eu sempre leio vcs pelo reader mas nem sempre posso comentar.

Bjs and keep strong :*

7 comentários:

Bia - disse...

Valeu à pena ter lido o seu "post imenso" rsrsrsrsrs Até fiz uma conta pra comentar aqui pq cê nao deixa qualquer um comentar =D
Vc simplesmente conseguiu falar tudo que eu sinto, mas não sabia descrever. O lado negro, agora entendo...
Essa busca insana e desesperada pela perfeição. E acho, sinceramente, que isso é só uma desculpa esfarrapada que nós usamos para não termos um encontro com nós mesmas. O meu eu grita "Bia, eu preciso falar com vc". E eu simplesmente respondo: "Calma, estou ocupada demais tentando ser perfeita. Depois a gente conversa".
Esse depois nunca chega. Auto-conhecimento é uma palavra que nunca sonhou estar no meu dicionário. Eu não sei se isso acontece com vc tbm... Eu acho estranho, não vejo a hora disso tudo acabar.

Agora vou parar de perturbar nos seus comentários rsrsrsrs

Kisses, girl ♥♥♥

*Dora* disse...

Bunny vc já assistiu esse filme? Ai eu tô louca pra ver! Adoro a Natalie Portman. Li uma reportagem na Veja que ela teve que perder 10kg pra fazer o filme. Eu entendo o fato de vc ter miado pq tem certas coisas relacionadas à magreza/perfeição que acabam mexendo muito com a gente.
Que bom que o filme serviu pra deixar vc mais forte e determinada em relação à sua meta.

Beijo grande

Alice Liddell disse...

Entendo sua frustração em relação ao ballett, e acho que todos temos uma na vida - geralmente causada justamente pelos pais.
Não concordo quando diz que a criança é que mais sabe da vida, mas talvez seja a que melhor sabe aproveitar a vida.
Minha irmãzinha faz ballett desde os 2 anos e ela é gordinha. Ela adora dançar. Eu incentivo. Se isto será amor sempre não sei, só ela irá decidir. Mamãe acha que não pode ser foco/profissão - papai, então... nem comento. Porque ele é ogro demais pra tal assunto. Mas com certeza vou dar o apoio que ela precisar.
Tudo bem que já não dá pra você ingressar no ballett profissionalmente, mas você já tentou suprir essa necessidade em casa mesmo? Comprar a roupa, dvds, músicas, e treinar em casa, ir aprimorando pelo esforço próprio?
E quem disse que bailarina tem que ser magra desde sempre? VOcê pode ir avançando concomitantemente: no emagrecimento e no ballett. (É só uma opinião).
Acho que aceitar as frustrações que temos é o passo mais importante para superá-las - e realmente acredito que é possível superar, vencer.
Um objetivo tão subjetico (que paradoxo) como a perfeição é bem provável que se passe a vida tentando conseguir. O ser humano é insaciável.
Eu tenho objetivos concretos, e é por estes que luto na certeza de que um dia vou poder dizer: eu consegui!
E haverá sofrimento neste processo, é claro. Como em qualquer um que exija dedicação de verdade.

Anna Williams disse...

Ainda não assistí o filme, por isto caso teu post faca referências ou alusões ao enredo do mesmo, vou lê-lo depois:-)

Cristal* disse...

Desculpa não ter lido tudo mas por falta de tempo, mas olha achei lindo, sim o teu sonho foi e é o ballet e algum dia talvez realiza-lo, e não porque não és magra, mas é porque o mereces do fundo do coração. Deste-me a vontade de ver o filme, tenho que ver quando tiver tempo.
Bjinhos :)

Butterfly Blue disse...

To desesperada p assistir esse filme.........concordo c vc em td o q disse.....essa busca insana pela perfeição.......
Beijos linda

Lizzy disse...

Aiin flôr...nossa eu realmente me emocionei muiito quando lii seu post, eu vii a minha vida escrita aí. Sabe quando eu tinha uns 6 anos em diante, eu era apaiixonada por ballet, e eu sempre falava para os meus pais q eu realmente queriia ser uma bailariina, eu pediia muiiito pra eles mais eles nem ligavam, achavam q eu era apenas uma criançinha q naum sabiia o q eu realmente queriia.Sabe é difícil explicar, pq hj eu me sinto tão culpada por isso de naum ter insistido maiis, sabe quando eu via desenhos com bailarinas...filmes...eu ficava tão maravilhada!! Sabe esses dias atrás eu tive uma conversa séria com minha mãe e comentei sobre o meu sonho de infância q ela não realizou, eu diisse- mãe eu queriia ser uma bailarina, mais vc e o pai neem ligaram pra miim. Ela naum diz nada. Realmente eu sei o q é iisso flor, eu naum assisti o fiilme aiinda,,, mais quero muiito muiito ver. Muiiiita força pra vc liinda ♥