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terça-feira, 7 de abril de 2009

Às vezes é bom nem pensar.

Eu nem sei se devia falar disso aqui. Aliás, eu nem quero falar disso aqui. Mas tem coisas que as vezes me incomodam demais - as vezes algo que vc pensa que esqueceu volta à tona.
A primeira parte da história é um tabu pra mim.
Nem sei se começou aí - as vezes acho q houve algo que nem posso lembrar. Mas quando você tem seus oito, nove anos - nem sei ao certo - e alguém em quem vc mais confia te toca de um modo que não devia é meio difícil esquecer.
Nunca falei com isso. Fingi que não aconteceu.
Aí eu tinha então uns 15 anos já - não que isso não tenha acontecido outras vezes antes - e estava no ônibus e um velho - daqueles que vc já cria uma distância pq tem na testa "velho nojento e babão", se encostando demais em mim - e não houve engano, foi uma tentativa de "sei-lá-o-quê". Quando o ônibus parou eu saí correndo e não olhei pra trás. Fui pra casa e fingi que não aconteceu.
Algumas coisas entre os 17 e os 18 - mas não foi bom. Não tão ruim, mas nem vale menção.
E aí aos 19. Eu acho que as pessoas não entendem quando eu tento explicar que não posso chamar de "estupro" (até pq, a palavra me assusta). Que foi minha culpa. Mas eu não queria e deixei isso bem claro. E eu não reagi contra. Eu estava assustada demais pra tomar qualquer atitude. Mas de qualquer modo, não bati pé, não esperneei. Dizem que quem está na chuva é pra se molhar, qualquer ser humano normal teria se ligado, menos a idiota aqui, que ngm te estende a mão naquele tipo de situação sem esperar alguma coisa a mais.
Princípe encantado não existe - homens só querem mulheres pra uma coisa. Bom, quando ficam maduros, as vezes querem tb empregadas e filhos.
E depois ainda me apavorei e passei a fazer oq ele queria - estava totalmente dependente de ele estar de bom humor pra me ajudar, fiquei com medo de ficar no meio do nada sem saber oq fazer e pra onde ir. Quando ele me ligou semanas depois, tive coragem de dizer "não quero falar com vc".
Não tive coragem de de dizer "aprenda que quando uma mulher diz não é não."
Mas o fato é que: podia ter sido pior. Quando me atenderam no hospital - eu cansada de contar a história, eu só queria um exame de DST!!! - a tia do IML (esses casos tem que ser registrados pros números deles) ficou chocada quando eu disse que não ia denunciar. Afinal, nem foi tão sério, por favor! Aí ela disse: "Não existe uma forma de violência sexual maior que outra. Se foi contra a sua vontade, foi violência e vc tem o direito de denunciar".
Mas afinal, não fui arrastada pro meio do mato, nem espancada... eu via as meninas de 10, 12 anos fazendo o mesmo tratamento e nem me sentia no direito de estar lá. Tenho plena consciência de que foi minha culpa.

Mas agora quando pego ônibus, essas coisas voltam - eu tenho que ficar longe de homens no ônibus. Não saio a noite pq tenho a impressão de que isso dá permissão as pessoas. Última vez que fiquei com um cara, ele me apertava demais, não deixava eu me soltar - isso fez a lembrança subir e quando me soltei dele corri pro ônibus sem dar tchau. E na aula de literatura brasileira meu professor - talvez tenha uma perversão inconsciente, sei lá - apesar de ser muito gente boa, sempre escolhe contos com violência sexual no meio, pra comentar. Isso está me perturbando.

Quando aconteceu o ato, mesmo, eu passei a ir no hospital e tudo, mas decidi que não pensar resolveria. E pareceu ter resolvido até agora. Mas por menos que eu queira, esses pensamentos ficam voltando, e voltando... talvez esteja aí o motivo de eu estar sozinha, tb - que homem no mundo vai querer uma garota que além de doida, obsessiva, feia, burra e chata (hum, e com complexo de inferioridade), tb é sexualmente travada?
Mas tb, os homens tem correspondido toda a idéia que minha mãe me deu da vida.

Bom, era isso. Sei que não tem nada a ver com a proposta do blog. Eu não queria falar disso. Mas é difícil pq eu nunca quero e nem consigo falar disso, e achei que seria mais fácil contar pra vcs.
Saudades. Na quinta eu posso postar direito ^^
Beijos e até mais.

3 comentários:

Love disse...

Nossa amiga!!!

Q barra heim? Puts. Séi como é dificil o q esta passando. Quando tinha 16 anos um carinha q dizia ser meu amigo me pegou "a força" mas eu sinto q deixei... Eu estava bebada de mais pra fugir. Mas isso deixa pra lá... De conto isso pois quero q vc saiba que muitas de nos passamos por algo parecido... A unica forma de superar é com o tempo. Esquecer não dá, nem terapia resolve. Mas falar a respeito ajuda de mais!!!! O blog é para isso mesmo. É para dizermos tudo o q nos incomoda e sem vergonha do q os outros vão pensar.
Amiga, estou aqui pra te ajudar. Se quiser me add podemos conversar em particular no msn: loveanamia@hotmail.com add este e depois de passo meu msn legitimo. bjos

lovely disse...

Ah minha flor!!!
Acho que fez bem em desabafar, ajuda a minimizar, pelo menos um pouquinho, aquele sentimento ruim, de dor que sentimos quando as péssimas lembranças do passado vem nos atacar.

Passei por 2 casos meio parecidos. A primeira, devia ter uns 12 anos, estava no fundo do ônibus e não tinha ninguém perto, daí um homem (nojentooo), sentou do meu lado e ficou me olhando esquisito várias vezes - quando eu olhei de volta pra ele para ver o porque ele estava me olhando tantoo - vi que o vagabundo estava com o zíper da calça aberta e ... o resto você já imagina !

Da outra vez foi quando estava com 19 anos também, acho que disso eu já falei no blog, mas enfim. Quase aconteceu, o cara me levou para um hotel e (ah, eu me sinto tão burra) ... não pensei que ele queria 'aquelas coisas' comigo. Ele tentou forçar a barra, me segurou com força . Ainda bem que não aconteceu nada, mas sinto que fui conivente e isso me MACHUCA tanto. Eu não gosto nem de lembrar!!!

Tenta falar bastante sobre isso na terapia, inclusive os detalhes .. o que te perturba e tudo o mais. Tenho certeza que isso será de grande valia. E se a sua psiquiatra não te leva a sério, bata o pé no chão e diga para ela prestar atenção nas suas palavras, pois está sofrendo e ela está ali para te ajudar!

Já pensei em dar cabo na minha vida, por culpa do passado e as sensações que ele me traz.
Mas não deve valer a pena né amore?!

Você vai superar, pode levar muito tempo, mas com as terapias e o tratamento correto, vai dar tudo certo.
Estarei sempre torcendo por você!

Cuide-se! Tudo de bom!
Beijinhooos!

Marcy! disse...

O blog é teu, aqui tu fala sobre o que tu quizer, mesmo que não esteja relacionado a dieta nenhuma.

Já passei por uma situação parecida quando eu tinha 5 anos de idade, realmente é algo que nunca se esquece, e quando acontece mais de uma vez então...
Mas uma coisa eu digo: Esses homens ainda aprenderão uma lição com a vida, isso eu garanto.

Bjos.